Covid-19: a saúde de quem cuida

Na linha de frente no combate à Covid-19, os profissionais de saúde têm maior exposição ao vírus. A fim de reduzir o risco de infecção, o Ministério da Saúde (MS) vem atuando em várias iniciativas, como capacitação e distribuição de equipamentos de proteção para profissionais de saúde.

Liderando diversas ações no campo da ciência, a Fiocruz lançou, na forma de Ensino a Distância (EAD), o curso Covid-19: manejo da infecção causada pelo novo Coronavírus. O curso é on-line, gratuito e dinâmico e está com as inscrições abertas. Já a Organização Pan-Americana da Saúde / Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) desenvolveu um informativo com recomendações para prevenção e controle de infecção.

Nesse contexto, o Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) atua no atendimento de alta complexidade em diversas áreas de atenção. Os pacientes que já são acompanhados no Instituto com suspeita ou confirmação de coronavírus estão sendo encaminhados, de acordo com a sua necessidade, para atendimento nos locais determinados pela rede, via Sistema Único de Regulação do Sistema Único de Saúde (SUS), através de solicitação de vaga operacionalizada pelo Núcleo Interno de Regulação (NIR). Essa é a estratégia do SUS para o enfrentamento da pandemia, direcionar esses pacientes para unidades de saúde exclusivas, dedicadas ao recebimento dos casos da doença.

Compartilhando suas experiências, a gestora da Área de Atenção Clínica ao Recém-Nascido do IFF/Fiocruz, Karla Pontes, e a responsável técnica de enfermagem do IFF/Fiocruz, Nina Aurora Mello Savoldi, contam como venceram a Covid-19 como pacientes.

Quais foram os sintomas que você teve? Faz parte do grupo de risco - Portadores de doenças crônicas como diabetes, hipertensão e asma, e indivíduos acima de 60 anos?

Karla: Não faço parte do grupo de risco. Iniciei com febre e dor muscular intensa nos três primeiros dias. Depois evoluí com perda de olfato e de paladar, enjoo e dificuldade para respirar após pequenos esforços, como subir um lance de escada.


Karla Pontes

Nina: Faço parte do grupo de risco, pois tenho 62 anos, hipertensão e diabetes. Os primeiros sintomas foram dor de cabeça, dor de garganta e febre. Depois de cinco dias, coriza, tosse seca, dor no corpo, diarreia e perda do sabor dos alimentos. No 10º dia comecei a ter dificuldade respiratória.

Em que momento buscou atendimento médico?

Karla: No segundo dia do início de sintomas.

Nina: Fui à emergência quando vi que não estava melhorando e comecei com dificuldade respiratória.

Precisou ficar internada? Como foi o período de isolamento?

Karla: Não precisei ficar internada. O período de isolamento é tenso, não só pela evolução da infecção, mas também pelo receio de transmitir o vírus para a família, apesar de realizar todos os cuidados de prevenção. Comecei o isolamento no dia 23/3 e, para dizer a verdade, não acreditei que era Covid-19 porque não tinha sintomas respiratórios. Como não melhorei no terceiro dia e comecei a apresentar outros sintomas, decidi fazer o teste e o resultado foi positivo. Na última sexta-feira (17/4), saiu o resultado e, finalmente, deu negativo.

Nina: Ao procurar a emergência em que fui, foi constatado que precisaria de tratamento em regime de internação. Fiquei cinco dias na UTI e cinco na unidade de internação, e tive um excelente atendimento. Respondi bem ao tratamento, no 10º dia recebi alta e agora sigo no cuidado completando meu tratamento em casa.

Qual foi a importância da rede de apoio e dos profissionais de saúde para a sua recuperação?

Karla: Sem dúvida a rede de apoio foi uma pilastra fundamental para a minha recuperação, principalmente minha família. Ressalto o apoio dos meus amigos e colegas de trabalho que telefonaram e/ou enviaram mensagens e vibrações positivas fortalecendo muito o meu emocional nesse momento. É difícil você desenvolver uma infecção cujo prognóstico é ainda uma caixinha de surpresa para todos. Gostaria de agradecer aos profissionais do IFF/Fiocruz que me assistiram, mesmo que por telefone, me dando orientações assertivas. Aos profissionais do projeto da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no qual estava inserida para realização dos testes e acompanhamento, só tenho que parabenizar pela organização e pelo acolhimento a nós profissionais de saúde com sintomas de Covid-19.

Nina: A rede de apoio dos profissionais é fundamental para o sucesso do tratamento. Eles precisam saber avaliar o paciente, pedir os exames necessários, analisá-los e tomar uma conduta correta. Por isso, é necessário que eles tenham treinamento e os protocolos de fluxo de atendimento e condutas terapêuticas bem estabelecidos. Os hospitais precisam fornecer equipamentos de segurança e treinar os funcionários para usá-los adequadamente.

Que mensagem você gostaria de deixar para as pessoas que vêm enfrentando a doença?

Karla: É fundamental seguir as recomendações para não transmitir a infecção, principalmente no que se refere ao uso de máscara, higienização das mãos e a separação de materiais individuais, como toalha e roupa de cama. Além disso, ter fé na cura é imprescindível para superar os sintomas e o isolamento.

Nina: Minha mensagem é que temos que evitar aglomerações. O máximo de isolamento, se puder. No trabalho, ao cuidar dos pacientes, usar adequadamente os equipamentos de proteção individual; sempre lavar corretamente as mãos e usar o álcool gel; além de melhorar o seu estilo de vida, como seguir uma alimentação saudável, dormir bem, beber bastante água e fazer exercícios físicos. Ao apresentar sintomas, procure atendimento médico em uma unidade de saúde.


Nina Aurora Mello Savoldi

Homenagens

Várias ações estão sendo realizadas em prol do reconhecimento dos profissionais de saúde, que são essenciais neste momento de pandemia global. No último sábado (18), aconteceu o festival on-line "One World: Together at Home" (Um mundo: juntos em casa), iniciativa da ONG Global Citizen em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Durante a transmissão de 8 horas, a ONG arrecadou US$ 127,9 milhões, que será destinado para ajudar os profissionais de saúde que lutam contra a pandemia de Covid-19. Com curadoria da cantora Lady Gaga, foram mais de 100 artistas envolvidos na programação, que contou com a participação de músicos consagrados, como Elton John, Jennifer Lopez e The Rolling Stones. Já no domingo de Páscoa, 12/4, um jaleco foi projetado no Cristo Redentor para homenagear os profissionais de saúde. No Dia Mundial da Saúde, comemorado em 7/4, os brasileiros os aplaudiram de suas janelas, em forma de agradecimento.

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