IFF/Fiocruz realiza o 2º Workshop de cuidado compartilhado para crianças com condições crônicas complexas

O encerramento do Projeto Cuidado Compartilhado aconteceu, em 6/11, durante a realização do 2º Workshop com foco no cuidado de crianças com condições crônicas complexas, no Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz). O projeto, que possui o nome de Estabelecimento de estratégias de cuidado compartilhado entre o ambulatório de pediatria, unidades de internação do IFF/Fiocruz e a atenção primária de saúde do município do Rio de Janeiro para crianças com condições crônicas complexas de saúde, foi desenvolvido para proporcionar atendimento de qualidade aos pacientes. A iniciativa teve como objetivos estabelecer o fluxo de identificação de pacientes pediátricos com condições crônicas muito complexas nas unidades de internação; rotinas de identificação das equipes assistenciais necessárias para atendimento após alta hospitalar pela Atenção Especializada (AE) e Atenção Primária à Saúde (APS); estratégias de cuidado compartilhado, de treinamento das famílias e segurança do paciente.

O coordenador do projeto, pediatra e gestor dos ambulatórios da área de Atenção Clínica à Criança e ao Adolescente do IFF/Fiocruz, José Augusto de Britto, comentou que a iniciativa foi uma inovação para o Instituto. “Concluímos a etapa de projeto com resultados positivos e temos planos de transformá-lo em uma política institucional”, contou ele. Com a palavra, a coordenadora de Atenção à Saúde do IFF/Fiocruz, Dolores Vidal, falou da importância do projeto. “Ele trata de melhoria do cuidado aos usuários que pertencem ao Sistema Único de Saúde (SUS), e esse cuidado precisa ser compartilhado para que ocorra de forma efetiva”, afirmou ela.

A seguir, a pediatra e coordenadora adjunta do projeto Daniela Koeller citou os três conceitos que embasaram a iniciativa: Redes de atenção à saúde, Criança com condição crônica complexa e Compartilhamento de cuidado. A pediatra informou que a criança com condição crônica complexa de saúde necessita de dimensões do cuidado, que passam pelos fatores individual, familiar, profissional, organizacional, sistêmica e societária e que, por isso, o projeto tem a finalidade de estimular o cuidado compartilhado, mais horizontal, com co-responsabilização dos casos pelas equipes de saúde, envolvendo desde as equipes de APS, dos hospitais e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e as Ambulatoriais Especializadas, realizando uma troca aprimorada de informações, além dos avisos de alta e de rotina de alta e encaminhamento. “Precisamos desmistificar que o paciente é de um profissional ou serviço, ele é do SUS”, frisou ela.

Daniela declarou que a AE precisa da APS porque a APS é a porta de entrada para os pacientes, conhece o território e realiza o apoio familiar, comunitário e a inclusão na sociedade, que faz a diferença. Como desafios encontrados na articulação entre AE e APS, listou dificuldades, como a demanda excessiva e a carência de profissionais e de insumos. Outro ponto abordado foi sobre a gestão de caso. “Devido à complexidade, devemos pensar individualmente, para assim, evitar o agravamento e reinternação do paciente. Ou seja, nos apropriar da ideia de que o cuidado não é só aquilo que fazemos dentro do consultório”, alegou ela.

A pediatra apresentou o cronograma do projeto, iniciado em julho de 2018, e mencionou as metas atingidas. Entre os vários pontos encaminhados ou finalizados, como a definição dos critérios de condição crônica complexa em pediatria e classificação dos pacientes, citou alguns também como ainda não realizados, como a definição de estratégias de segurança e a seleção de profissionais de referência para o caso na AE e APS. “Ainda não foi identificado o profissional de referência na AP, no caso do Ambulatório de Pediatria do Instituto o médico assistente ou equipe do horário é considerado o profissional de referência”, explicou ela.


A pediatra e coordenadora adjunta do projeto Daniela Koeller (Foto: Everton Lima)

Na sequência, a enfermeira do IFF/Fiocruz Auxiliadora de Assis mostrou o perfil dos pacientes atendidos no Ambulatório de Pediatria do Instituto. De acordo com o levantamento, realizado no período de agosto de 2018 a setembro de 2019, 2.614 pacientes foram atendidos, em sua maioria com idades entre 1 a 4 anos. Desses, 9% são considerados pacientes com nível de complexidade alto e geralmente possuem deficiência física e/ou mental. Por conta disso, as especialidades que têm mais contato com os pacientes no Instituto são a fisioterapia motora, genética e neurologia. “Para classificar a complexidade foi importante identificarmos essas informações”, esclareceu ela.


A enfermeira do IFF/Fiocruz Auxiliadora de Assis (Foto: Everton Lima)

No encerramento do evento, Daniela destacou como aprendizado a possibilidade de planejar melhor o cuidado quando se conhece de fato o público, e agradeceu o envolvimento da equipe multiprofissional e dos residentes do Instituto e a parceria com a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), em prol do sucesso do projeto.

Confira como foi o 1º Workshop de cuidado compartilhado para crianças com condições crônicas complexas.

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