15 por cento dos bebês expostos ao Zika antes do nascimento tiveram anormalidades graves nos primeiros 18 meses de vida

 

 
Mosquito Aedes Aegypti transmissor do zika, chikungunya e dengue, entre outras doenças / Foto: Raquel Portugal

Devido a epidemia do vírus Zika que aconteceu no Estado do Rio de Janeiro de setembro de 2015 a junho de 2016, quando o vírus era relativamente desconhecido e que mais tarde foi associado a um número pouco comum de casos de microcefalia -condição que é caraterizada pela apresentação de uma cabeça atipicamente pequena e outras anomalias neurológicas em lactentes -, os conselhos de revisão institucional da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade da Califórnia em Los Ángeles (UCLA) - Estado Unidos, aprovaram um estudo para avaliar as habilidades motoras, de linguagem e desenvolvimento cognitivo, função visual e auditiva, e imagens cerebrais de crianças que foram expostas ao Zika durante a gravidez de suas mães.



A médica em neonatologia e coordenadora de pesquisa do IFF/Fiocruz, Maria Elisabeth Moreira foi líder do estudo

O estudo foi liderado entre outros, pelas médicas pesquisadoras: a especialista em neonatologia e coordenadora de pesquisa do IFF/Fiocruz no Rio de Janeiro, Maria Elisabeth Lopes Moreira, a chefe da Divisão de Doenças Febris da Fiocruz, Patrícia Brasil e a professora de pediatria clínica na divisão de doenças infecciosas pediátricas da Escola de Medicina David Geffen da UCLA e do Hospital Infantil da UCLA Mattel, Karin Nielsen.

Pelo Brasil, também participaram neste estudo os pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz: Luana Damasceno, Marcos Pone, Liege Carvalho, Sheila Pone, Zilton Vasconcelos, Ieda Ribeiro, Andrea Zin, Tania Salles, Denise da Cunha, Myrna Bonaldo, Leticia Guida, Jociele Malacarne, Roozemerie Costa, S. Clair Gomes, Beatriz Reis, Fernanda Soares, Mitsue Aibe, José Paulo Pereira e Elyzabeth Portari.

Os métodos utilizados para esta pesquisa consistiram de pelo menos um exame de imagem, usando ultra-som cerebral transfontanela, tomografia computadorizada ou ressonância magnética; um exame oftalmológico; uma triagem padrão chamada Bayley III, que mede as habilidades cognitivas, de linguagem e motoras dos bebês; e um exame de audiometria do tronco encefálico, que diagnostica a perda auditiva em lactantes e crianças pequenas.

Resultados
Com faixa etária entre 12 e 18 meses de vida, problemas significativos estavam presentes em sete das 112 crianças que foram avaliadas para anormalidades oculares (6,25%), em seis das 49 crianças avaliadas por problemas auditivos (12,2%) e em 11 das 94 crianças avaliadas pelo Teste de Bayley para atrasos na linguagem, habilidades motoras e/ou função cognitiva, que também tinham imagens cerebrais (11,7%). Assim, 19 de um total de 131 crianças (14,5%) apresentaram pelo menos uma das três anormalidades.


(Foto: Paulo Paiva/DP/Correio Braziliense)

Impacto
Os resultados mostram uma estimativa confiável da frequência do atraso do desenvolvimento neurológico, visão e audição em bebês e crianças pequenas após serem expostos pelo Zika no útero. “Os resultados da pesquisa apontam para a necessidade de monitoramento do neurodesenvolvimento em fases precoces, principalmente porque existem intervenções relacionadas à estimulação precoce que podem diminuir a incidência e gravidade de atrasos de desenvolvimento”, explicou a pesquisadora, Maria Elisabeth Lopes Moreira.

Vale destacar que este estudo foi possível graças ao apoio financeiro dos seguintes órgãos: Fundação Oswaldo Cruz/Ministério da Saúde (Fiocruz/MS), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), Wellcome Trust e ZikaPlan.

Diário
O estudo foi publicado pela primeira vez em 12 de dezembro no The New England Journal of Medicine. Veja: www.nejm.org

 

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