rBLH realiza o I Congresso em Rede

O I Congresso em Rede da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH) foi realizado no dia 13/12 no Museu da Vida da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O evento representou um marco na história da rBLH e do Sistema Único de Saúde (SUS), pois foi inteiramente mediado pela tecnologia, conectando os Bancos de Leite Humano (BLH) de todas as unidades da federação por meio das salas de teleconferência da Rede Universitária de Telemedicina (RUTE). O objetivo principal do encontro foi a pactuação do planejamento estratégico para os próximos quatro anos (2020-2023) e a apresentação de importantes produtos e conquistas em prol do processo constante de modernização e consolidação da rBLH.

Durante a abertura, o coordenador do Laboratório de Telessaúde da rBLH do IFF/Fiocruz, Franz Novak, responsável por conduzir o evento, passou a palavra de forma coordenada para cada uma das macrorregiões, representadas pelas coordenadoras regionais da Região Centro Oeste, Miriam Santos, Região Sudeste, Monica Pontes, Região Nordeste, Ana Zelia Pristo, Região Sul, Marcia Benevenuto, e Região Norte, Cynara Souza, que seguiram com seus respectivos estados para fazerem uma saudação. Todos os representantes da rBLH, sem exceção, destacaram o ineditismo do evento, a oportunidade de integrar, fortalecer e expandir ainda mais a rede e a possibilidade de trocarem experiências. Presencialmente, o coordenador da Secretaria Executiva da Rede Global de Bancos de Leite Humano (rBLH), João Aprígio Guerra de Almeida, parabenizou a todos que integram e são construtores da rBLH. “Essa é uma rede de pessoas que tem compromisso com a saúde da criança e com o SUS, e esse encontro é uma oportunidade ímpar que foi gerada de forma igualitária para todos”, frisou ele.

Com a palavra, a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, mencionou a visão integrada do encontro, que teve como base na atenção básica o aleitamento materno, e elogiou o Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) por cumprir o seu papel como Instituto Nacional. “É uma alegria ver essa rede reunida por meio da tecnologia com tantos pontos pelo Brasil, o que nos permite fazer uma grande conferência, e isso é muito expressivo. Olhar para essa questão dos primeiros cuidados e do aleitamento materno é crucial se queremos pensar verdadeiramente no futuro do nosso país”, avaliou ela.

A seguir, o diretor do IFF/Fiocruz, Fábio Russomano, ressaltou que a inovação venceu as barreiras geográficas e que a rBLH proporcionou mais uma oportunidade de aprendizado ao IFF. “Registro a satisfação pela continuidade, ampliação, aperfeiçoamento de ações e reforço da ideia de funcionamento e compartilhamento de decisões da rede em favor de uma política pública de grande impacto na mortalidade infantil e alinhado aos objetivos de desenvolvimento sustentável. Essas iniciativas também estão alinhadas à missão do Instituto de promover a saúde da mulher, da criança e do adolescente e contribuir para o fortalecimento SUS. E, além do SUS, contribui para o fortalecimento da imagem nacional da Fiocruz junto à sociedade”, alegou ele.

A abertura, que contou com discursos de parceiros da rBLH, como a Rede Universitária de Telemedicina (RUTE) e o Rotary Club de Brasília, teve seu encerramento com a fala do membro da Coordenação Executiva do Complexo dos Institutos Nacionais de Saúde da Fundação Oswaldo Cruz, Carlos Maurício de Paulo Maciel. “É uma honra participar desse evento que juntou o Brasil inteiro para discutir esse tema importante. Que vocês continuem esse trabalho maravilhoso e continuem salvando vidas”, finalizou ele.


Da esquerda para a direita: Carlos Maurício de Paulo Maciel, Fábio Russomano,
Nísia Trindade Lima e João Aprígio Guerra de Almeida (Foto: Peter Ilicciev)

Na sequência, aconteceu a mesa-redonda sobre o Panorama 2018 e Perspectivas da rBLH Brasil, onde as coordenadoras regionais apontaram os acontecimentos considerados como o mais relevante de cada estado pertencentes as suas respectivas regiões em 2018, assim como as contribuições propostas para que a rBLH alcance a excelência no período de 2020 a 2023. Dando continuidade, a sessão solene contou com a participação de convidados especiais que atuam diretamente na rede. De Brasília, o vice-presidente de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS) da Fiocruz, Marco Antonio Carneiro Menezes, parabenizou a iniciativa. “Essa ação da rBLH é muito estratégica no sentido de enfrentar o aumento da mortalidade infantil e fortalecer as políticas públicas”, analisou ele.

O diretor do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), Rodrigo Murtinho, disse que os Direitos Humanos é um pilar do trabalho da Fiocruz e o aleitamento materno é uma das questões centrais e um grande desafio que precisa ser alcançado. “Essa é uma rede de afetos, solidariedade, de muito trabalho, tecnologia que sustenta e possibilita o direito humano à alimentação. Na semana em que a gente comemora os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos é simbólico e revigorante ver a capacidade de organização em rede, de utilizar as tecnologias de informação e comunicação, e renovar a cada ano. É uma satisfação para o Icict/Fiocruz fazer parte e apoiar esse trabalho tão articulado”, enfatizou ele.


Da esquerda para a direita: Rodrigo Murtinho, João Aprígio Guerra de Almeida e
Manuel de Almeida (Foto: Everton Lima)

O diretor geral do Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, Manuel de Almeida, valorizou a parceria do Ministério da Saúde (MS) com a Fiocruz no desenvolvimento de um trabalho com o intuito de salvar vidas. Em sua fala, o Coronel do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, Carlos Alberto Rasia, agradeceu pela corporação poder contar com a parceria do MS, a Secretaria de Saúde e a Fiocruz na realização de um trabalho a cada dia mais humanizado e efetivo. “O Bombeiro Militar é considerado a instituição com o maior índice de aceitação da população brasileira e isso abre as portas e facilita a coleta. Toda a atividade que é feita em parceria com a nossa corporação é em prova da vida. Estaremos sempre à disposição porque essa coleta significa esperança”, declarou ele.

Sobre a parceria com o Corpo de Bombeiros, João Aprígio informou que a rBLH já está trabalhando com a possibilidade de, a partir do próximo ano, adequar a iniciativa dos Bombeiros de forma ordenada para que essa ação em favor dos Bancos de Leite Humano e da amamentação possa ser uma ação Brasil coordenada com o apoio dos agentes de Brasília. Outros convidados especiais que também registraram apoio e a importância do evento foram o diretor do Instituto Nacional Controle Qualidade em Saúde (INCQS/Fiocruz), Antonio Eugenio Castro Cardoso de Almeida, a diretora do Departamento de Ações Programáticas Estratégicas do MS, Teresa Delamare Franco, a coordenadora geral de Saúde da Criança e Aleitamento Materno do MS, Cláudia Puerari, e o assessor do departamento de ações programáticas e estratégicas do MS, João Batista Freitas Silva.

A seguir, a coordenadora das Ações de Aleitamento Materno do MS, Fernanda Ramos Monteiro, apresentou a Nova Portaria, elaborada pelo MS em parceria com a Fiocruz. A portaria, que ainda está em fase de aprovação, trata da habilitação, financiamento e organização dos Bancos de Leite Humano e postos de coleta. A secretária executiva da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, Mariana Simões, falou a respeito do Credenciamento 2018, que passou de uma avaliação estática para uma avaliação dinâmica, mensal e em tempo real. “O credenciamento deste ano representa um avanço tecnológico muito importante para a rBLH e para todo o SUS. Todos os BLH participaram do credenciamento e em todo o Brasil 71% dos bancos foram credenciados”, comunicou ela.

Em seguida, o responsável pelo Laboratório de Controle de Qualidade (BLH-IFF), Jonas Borges, explicou sobre o Aplicativo de Teleinspeção como uma inovação da rBLH por responder com qualidade as demandas específicas da área da saúde. A consultora técnico-científica do núcleo de Cooperação Internacional do IFF/Fiocruz pela rBLH, Virgínia Valiate Gonzalez, informou sobre o Monitoramento 2017 da rBLH no Âmbito da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), reforçando que o produto é uma construção plural e colaborativa entre os países. Virgínia comentou que é interessante observar os números expressivos, mais de 2 milhões, particularmente no que diz respeito a quantidade de recém-nascidos beneficiados que a rede conseguiu alcançar e também o número de mulheres que realizaram a doação de forma voluntária e solidária. A gerente do BLH do IFF/Fiocruz, Danielle Aparecida da Silva, esclareceu que a rBLH desenvolve ferramentas e propostas que assegurem o leite humano de qualidade certificada, assim como os serviços prestados pela rede. Por isso, surgiu a ideia do lançamento do Selo para o Programa Fiocruz de Certificação da Qualidade certificar os BLHs que obtiverem excelência em sua avaliação.

Com a palavra, João Aprígio expôs o Plano de Ação 2020-2023 da rBLH, construído coletivamente por todos os integrantes da rede, a partir do envio de contribuições e propostas. Esse Plano, que será apresentado ao novo governo para que a discussão seja levada para inclusão no Plano Plurianual (PPA), é formado por ações estratégicas para o fortalecimento das capacidades científica, produtiva, tecnológica, gerencial e de garantia da qualidade da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, com o propósito de responder às demandas do SUS no âmbito da segurança alimentar e nutricional na atenção neonatal. A última solenidade foi a apresentação da Carta Brasil 2018 - O compromisso da rBLH com a excelência do SUS, e todos os estados da rede BLH foram convocados a assinarem a carta simultaneamente. No encerramento, João Aprígio fez questão de destacar que o evento só foi possível devido ao envolvimento de todos. “Estamos muito agradecidos a todos os atores, desde a UBS, aos Bancos de Leite, hospitais e ao MS. A união de esforços é que faz a diferença!”, concluiu ele.


Equipe rBLH

 

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