Reflexão sobre conquistas, desafios e muita emoção marcam abertura da II Jornada Científica Pediátrica

A necessidade de refletir sobre o cuidado de crianças com condições crônicas complexas e pensar formas de vencer os desafios colocados a sua desospitalização motivou a realização da II Jornada Científica Pediátrica do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), que aconteceu, nos dias 24 e 25/10, no Hotel Windsor Flórida, no Flamengo.

A abertura da Jornada, que este ano teve o apoio da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS) da Fiocruz, foi marcada por falas emocionadas dos integrantes da mesa e contou com a presença de representantes da Presidência da Fundação, da Direção do IFF/Fiocruz e de vários setores que atuam no cuidado à criança na unidade, além de profissionais externos.

Assistente social do IFF/Fiocruz e membro da Comissão Organizadora, Mariana Setúbal destacou que a segunda edição teve, como proposta, ampliar o debate e incluir a experiência de outras instituições e suas estratégias para permitir que crianças, adolescentes e suas famílias não precisassem passar suas vidas internados. “Basta uma criança para nos colocar a questão: por que devemos naturalizar o fato de alguém viver dentro de um hospital, passar ali aniversário, Natal e tantas outras datas importantes?”, ressaltou ela. Segundo Mariana, mais do que um evento, o encontro tem o objetivo de pensar uma agenda de pautas e de estabelecer intercâmbios no campo pediátrico, envolvendo profissionais, serviços de referência, Ministério da Saúde e usuários. “Uma vida mediada pela condição crônica coloca em diálogo as dimensões clínica, epidemiológica, social, jurídica e política. Mas, sobretudo, nos coloca também a dimensão do afeto, do sentimento e da empatia. E é da complexidade a que essas dimensões remetem que estamos tratando nesta jornada”, concluiu.

O gestor da Área de Atenção Clínica à Criança e ao Adolescente do IFF/Fiocruz, Antônio Flávio Meirelles, no Instituto desde a residência, presenciou a transição de perfil da unidade com a “nova pediatria”, que lida com as doenças crônicas complexas na infância. “Esse cenário trouxe, com ele, novos desafios. Como tratar melhor dessas crianças e de seus cuidadores, como reinserir essas crianças na sociedade, como discutir com o profissional da educação que uma criança com traqueostomia ou gastrostomia tem direito a ir à escola sem ser discriminada por isso são alguns deles”, ressaltou. Desafios que, segundo ele, vêm sendo diariamente enfrentados pela equipe do Instituto. “Graças a cada um dos nossos profissionais, essas crianças, antes invisíveis, estão sendo cada vez mais visíveis, com o Estado tendo de olhar para elas. Mas ainda precisamos pensar em como melhorar e aprofundar o nosso cuidado, principalmente com os cuidadores”, defendeu.


Membros da mesa se emocionaram ao falar do adoecimento crônico na infância,
que motivou a jornada (Crédito: Everton Lima)

A assistente social Dolores Vidal, da Coordenação de Atenção à Saúde do IFF/Fiocruz, destacou o caráter inovador da Jornada. “Ela pauta a importância que a atenção tem na produção do conhecimento, um conhecimento que não se produz apenas nos canais tradicionais da pesquisa acadêmica. Um conhecimento qualificado que se faz no cotidiano dos serviços de saúde, do atendimento direto à população, e visa à melhoria do cuidado e à construção de uma sociedade melhor”, frisou. Ela falou, ainda, da relevância que a Área de Atenção à Criança do Instituto vem alcançando nos últimos anos. “Esse crescimento não está traduzido somente nesta Jornada, mas também em trabalhos e projetos que têm obtido financiamento e reconhecimento pela Fiocruz e pelo Ministério da Saúde e garantiram o compromisso da Direção da unidade com a institucionalização do Programa de Desospitalização, que é fruto desse trabalho e envolvimento em equipe”, afirmou.

O foco no usuário é, segundo o diretor do IFF/Fiocruz, Fábio Russomano, um dos grandes diferenciais da Jornada. “Ela não é direcionada apenas a médicos pediatras, como o nome sugere à primeira vista, mas a todas as categorias profissionais que atuam no cuidado integral a crianças com doenças crônicas. Mais do que a sobrevida, esses profissionais buscam garantir qualidade de vida para que essas crianças possam crescer e se desenvolver junto a suas famílias e tenham acesso à cidadania plena”, destacou Russomano. Para o diretor do Instituto, o evento tem uma dupla função: “além de permitir o compartilhamento do aprendizado entre os profissionais, consolida a imagem do IFF/Fiocruz como Instituto Nacional, referência para o Ministério da Saúde, com a missão de promover a saúde de mulheres, crianças e adolescentes e fortalecer o SUS”, finalizou.

O vice-presidente de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz, Marco Antonio Menezes, ressaltou o papel de eventos com a Jornada para reforçar a importância não apenas do Sistema Único de Saúde (SUS), como também a relevância da Fundação como instituição pública estratégica de Estado, e, portanto, atuando no interesse do povo brasileiro. “A humanização da atenção é uma diretriz importante, defendida inclusive no nosso Congresso Interno, que se concretiza, entre outros exemplos, no Programa de Desospitalização como está sendo proposto pelo Instituto. Nesse sentido, queremos aprofundar, ainda mais, uma discussão solidária e defender que a saúde é um dever do Estado e um direito de todos os cidadãos do nosso país”, enfatizou Menezes.

Ao final da cerimônia de abertura, o diretor do Instituto homenageou o Núcleo de Apoio a Projetos Educacionais e Culturais (Napec), que recebeu, em agosto deste ano, o Prêmio Viva Voluntário 2018, concedido pelo Presidente da República em reconhecimento à atuação de cidadãos e entidades responsáveis por atividades voluntárias de relevante interesse social, com impactos transformadores na sociedade e voltadas ao alcance dos objetivos do Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.


Magdalena Oliveira recebe homenagem ao lado de voluntários do Napec e
de organizadoras da Jornada (Crédito: Everton Lima)

Além da exibição de um vídeo, com depoimentos e imagens sobre as ações do Napec na instituição, a coordenadora do Núcleo, Magdalena Oliveira, recebeu flores e uma placa comemorativa, homenagem que foi compartilhada com cerca de 20 voluntários presentes ao evento.

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