IFF/Fiocruz debate sobre Violência contra mulheres e meninas na América Latina

O Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) realizou no dia 15 de outubro a 11ª sessão da Agenda Laranja, iniciativa que promove desde 2016 a construção de uma cultura institucional voltada ao enfrentamento às várias formas de violência contra mulheres e meninas. Os professores e pesquisadores do Instituto Marcos Nascimento e Corina Mendes comemoraram, pois o encontro foi o primeiro com palestrantes internacionais, que contribuíram com uma visão global sobre o tema Violência contra mulheres e meninas na América Latina: perspectivas e enfrentamentos.

Iniciando o debate, a assessora regional de Violência Intrafamiliar da Organização Pan Americana de Saúde (OPAS), Alessandra Guedes, apresentou, com exclusividade, uma revisão preliminar e sistemática de inquéritos nacionais sobre Prevalência da violência praticada por parceiro íntimo (VPI) nas Américas. O estudo, que será publicado em breve, foi feito levando em consideração os seguintes critérios: ter representatividade nacional, baseadas em populações, em sua maioria pesquisas domiciliares, que tivessem recolhido os dados entre 1998 e 2017, publicados até 2018, e que tivessem disponíveis em qualquer idioma. “A maioria dos países da América Latina e Caribe têm dados de violência, de nível nacional, contra as mulheres. A análise confirma que a violência por parceiro íntimo continua sendo altamente prevalente em todas as regiões e os dados não devem ser comparáveis entre si”, afirmou ela.

Ao falar sobre a média dos casos por país, Alessandra explicou que uma pesquisa que só pergunta apenas sobre o parceiro íntimo atual ou mais recente não capta um percentual significativo, pois está perdendo metade da prevalência de mulheres que sofreram violência com parceiros anteriores. “Esses números variam mais ou menos entre 1 a cada 7 mulheres no Brasil, Panamá e Uruguai. Mas, a Região Andina (Bolívia, Equador, Colômbia e Peru) está presente entre os 6 países com o maior nível, tendo como primeiro lugar da lista a Bolívia, onde mais da metade das mulheres entrevistadas fizeram relatos”, avaliou ela.


Fonte: OPAS e OMS

A análise foi realizada pela faixa etária de 15 a 49 anos, que é o grupo mais comparado, e a assessora destacou o motivo da OPAS não ter incluído a violência emocional no estudo. “A diversidade de medidas é ainda mais ampla do que a violência física e/ou sexual e seria quase impossível a comparação entre os países. Obviamente precisamos reconhecer que a violência emocional é tão ou mais importante que outros tipos de violência, mas ainda não conseguimos fazer cenários”, alegou ela.

Para encerrar, Alessandra lamentou o baixo número de notificações, uma média de apenas 5 a 10% a nível global, mas declarou que esse dado é muito importante para avaliar, por exemplo, a confiança que as mulheres sentem nos serviços para poder notificar, e falou sobre as mudanças verificadas ao longo do tempo. “Ainda é prematuro falar sobre tendências, mas embora a violência por parceiro íntimo tenha aumentado na República Dominicana e alguns indicadores tenham ficado inalterados, vemos uma redução em vários países”, observou ela.

Em seguida, a Coordenadora de Populações Vulneráveis e Adolescentes da Organização Mundial da Saúde (OMS), Claudia Garcia Moreno comentou que as consequências da violência contra a mulher são devastadoras: lesões físicas e deficiências, impactos na sua saúde mental e problemas na saúde sexual e reprodutiva. “1 em cada 3 mulheres nas Américas já sofreram ou sofrerão violência por parceiro íntimo ao longo de sua vida. Alguns exemplos desses impactos, são que as famílias sofrem pela busca constante por um lugar seguro e os filhos das mulheres vítimas de violência padecem de ansiedade e problemas de comportamento. A comunidade e a sociedade também são afetadas por altos custos dos serviços, perda de produtividade e de participação das mulheres e das adolescentes na vida política”, esclareceu ela.

A respeito do papel dos sistemas de saúde, Claudia informou que eles e os profissionais de saúde podem desempenhar um papel chave em apoiar as mulheres, minimizar o impacto e prevenir a violência. A palestrante orientou que os sistemas de saúde podem fortalecer: a liderança e a governança; a prestação de serviços e a capacidade dos profissionais de saúde para responder à violência contra as mulheres e crianças; o desenvolvimento de programas de prevenção da violência contra as mulheres e crianças; e a coleta de informações e evidências. “As equipes de saúde são, com frequência, o primeiro ponto de contato dessas mulheres com algum profissional e é provável que todas as mulheres busquem serviços de saúde em algum momento de sua vida”, frisou ela.


 Fonte: OPAS e OMS

Finalizando a discussão, Claudia contou que a função da OMS e OPAS é apoiar os governos para fortalecer o sistema de saúde, especificamente na área de violência contra as mulheres. “Estamos trabalhamos muito com capacitação e apoio ao desenvolvimento de políticas para ajudar os países a desenvolverem seus próprios protocolos e modelos”, concluiu ela.


Organizadores, palestrantes e profissionais do IFF/Fiocruz

Informações Adicionais