IFF/Fiocruz discute EAD como ferramenta de educação em saúde

O Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) realizou no dia 1/10 um debate sobre Ensino a Distância como ferramenta de educação em saúde com profissionais de diversas áreas, como estratégia do IFF/Fiocruz como Instituto Nacional. Logo no início, a coordenadora técnica de Enfermagem do IFF/Fiocruz, Claudia Alexandre comentou que a equipe chegou ao Blended Learning por ser uma modalidade de aprendizagem híbrida que combina práticas do ensino presencial e a distância. “Esse é um sistema de formação onde os alunos passam a dominar os assuntos a partir de aulas on-line e, ao gostarem, se aprofundam mais do conhecimento nos treinamentos presenciais e podem tirar eventuais dúvidas”, afirmou ela.

Nesse contexto, iniciaram o projeto de Educação a Distância em Enfermagem (EADENF), que é uma comunidade virtual de aprendizado para educação continuada da enfermagem, inicialmente do Instituto, mas que já vem sendo discutida também em perspectiva multiprofissional, com a proposta de contribuir na qualificação dos profissionais de outras especialidades da Fiocruz e do Sistema Único de Saúde (SUS). A ferramenta promove ações integradas e articuladas, com a mesma força e potencialidade, nos segmentos de pesquisa, ensino e assistência, para alcançar a qualidade dos processos do trabalho, e visa integrar a equipe através de capacitações transversais e eventos multidisciplinares.


Fonte: 12ª Edição do Panorama do Treinamento no Brasil - Fatos, Indicadores, Tendências e Análises de 2017 e 2018

O Blended Learning, têm como intuito ampliar as possibilidades de acesso ao conhecimento, principalmente em tempos de globalização e alta velocidade de disseminação de informações. De acordo com a enfermeira e membro do Departamento de Ensino Adriana Reis, a combinação desse modelo ao avanço tecnológico e da comunicação tem a finalidade de promover melhor propagação e democratização do conhecimento. “O projeto institucional de elaboração de módulos de Ensino a Distância (EAD) vem preencher um nicho para promoção de melhorias na educação continuada do Instituto”, explicou ela.

Para a professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da educação permanente do IFF/Fiocruz Paula Cerqueira, a modalidade é um disparador que possibilita a produção de novas buscas sobre o que se fala e o que se debate. No encontro, a professora destacou também o conceito de experiência trabalhado pelo filósofo e educador espanhol Jorge Larrosa Bondía, o considerando central para toda ação de educação permanente, pois é visto como um processo simultaneamente individual, singular, pessoal e intransferível. Paula alegou que a palavra experiência é muito utilizada, mas poucos conhecem bem os efeitos dela. “O ato de refletir, problematizar e agir é o que vai transformar uma ação em experiência. O aprender precisa ser uma ação cujo efeito é bem maior do que a resolução de um determinado problema, é a mudança de quem está na ação, de si e do ambiente, então precisamos olhar se a estratégia educacional utilizada é suficiente, para não ser apenas um acúmulo de informação, sem produzir a experiência”, alertou ela.

A professora contou que a aproximação da educação e da saúde é de longa data, com várias iniciativas nacionais e internacionais que pensam em uma conversa mais próxima no âmbito da formação de profissionais. Por isso, vem trabalhando direto com educação permanente, desde 2002, e declarou que nunca viu uma estratégia tão importante para mudança no processo de trabalho e qualificação na área de saúde. “A dimensão da educação permanente é transformadora e qualifica mesmo, pois não tem um objetivo único, cada um consegue trazer para si e para o seu trabalho essa possibilidade de intervenção e qualificação das suas ações. Quando ela faz de fato sentido e não acaba, se torna uma aprendizagem significativa e pode ser internalizada, trabalhada e transformada em ação, em qualquer momento da vida”, constatou ela.

O EAD permite o acompanhamento de alguns indicadores, como o acesso dos profissionais aos conteúdos e, sobre isso, a enfermeira do IFF/Fiocruz e coordenadora da educação corporativa do UnitedHealth Group (UHG) Valéria Zadra analisou os índices como instrumentos de gestão essenciais para medir o resultado de uma organização, e esclareceu que com eles é possível acompanhar se as metas definidas estão sendo alcançadas e fazer o comparativo em relação a dados anteriores. Para quem tem o interesse de introduzir os indicadores em seu local de trabalho, a enfermeira sugeriu começar com dois estratégicos para a equipe, porque informou que dar um feedback é essencial, e que não adianta só cobrar performance de melhoria, sem fazer uma gestão à vista. “O indicador fala por si só e sob a ótica da minha vivência, eu não consigo enxergar a qualidade na ponta sem educação permanente, então ela precisa ser estratégica e importante, além de relacionada ao investimento pessoal do trabalhador, no interesse contínuo em melhorias na sua carreira profissional”, frisou ela.

Sobre treinamentos, Valéria abordou que hoje não pode ser feito um programa de treinamento anual, pois os processos mudam diariamente, e que as programações precisam ser curtas, bimestrais, no máximo trimestrais. Em sua visão, precisam ser motivacionais e adequados ao público e as necessidades do ambiente organizacional. “Hoje, o que mais se promove é a gestão à vista, onde os profissionais acompanham os indicadores, são parabenizados pelas melhorias e envolvidos quando é preciso melhorar. A cultura organizacional deve ser focada em melhorias de processos e o nosso objetivo como educador em como atingir as pessoas, e como estamos vivenciando a transição do tradicional para o moderno, é necessário pensar, estudar, buscar novas metodologias”, ressaltou ela.

Fonte: 12ª Edição do Panorama do Treinamento no Brasil - Fatos, Indicadores, Tendências e Análises de 2017 e 2018

O projeto foi desenvolvido alinhado com os objetivos estratégicos e os indicadores do Instituto, e a gestora da Área Clínica Pediátrica Mariana Cardim falou sobre o desafio. “O grande desafio do projeto é identificar e confeccionar produtos educacionais, levando em consideração que o cuidado é multidisciplinar e que esse avanço precisa ser feito, sempre na perspectiva também da possibilidade de uso em outras unidades e cumprindo o papel do IFF/Fiocruz como Instituto Nacional”, concluiu ela.


Profissionais do IFF/Fiocruz com as palestrantes do evento

Saiba mais:

  • Clique aqui e confira o artigo Notas sobre a experiência e o saber de experiência, de Jorge Larrosa Bondía.
  • Clique aqui e confira a 12ª Edição do Panorama do Treinamento no Brasil - Fatos, Indicadores, Tendências e Análises de 2017 e 2018.
  • Clique aqui e confira as Diretrizes Curriculares referentes aos cursos de graduação.

 

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