IFF/Fiocruz promove palestras para conscientizar sobre prevenção o suicídio

Como parte da campanha Setembro Amarelo 2018: Viver é a melhor opção, a Câmara Técnica de Saúde do Trabalhador (CTST) do Instituto Nacional da Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), em parceria com a Associação dos Servidores da Fundação Oswaldo Cruz (Asfoc-SN) e outras associações, promoveu duas jornadas de palestras com o objetivo de conscientizar funcionários e o público em geral sobre prevenção do suicídio e valorização da vida. Os eventos aconteceram nos dias 18 e 25/9 no Anfiteatro A do Centro de Estudos Olinto de Oliveira.

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), no mundo todo, a cada 40 segundos, uma pessoa tira a própria vida. No Brasil, uma pessoa morre vítima de suicídio a cada 45 minutos e o país apresenta uma taxa maior de vítimas de suicídio do que de HIV e a maioria dos tipos de câncer.

Segundo o membro da CTST Rubens Rodrigues Barrozo, milhões de pessoas são direta ou indiretamente afetadas ao redor do mundo pelo drama do suicídio, e, apesar da seriedade do assunto, este ainda é um tabu na sociedade brasileira, o que dificulta a sua prevenção. “É por isso que nos solidarizamos com a necessidade de tratar da questão sobre a qual o Ministério da Saúde (MS) está tentando alertar com o Setembro Amarelo”, comentou. A campanha empreendida pelo MS tem como objetivo promover eventos que abram espaços para debates sobre a prevenção do suicídio, alertando a população acerca da importância de sua discussão.


Equipe organizadora do evento Setembro Amarelo 2018

Durante a mesa de abertura, o diretor do IFF/Fiocruz, Fábio Russomano, saudou a iniciativa de levar questões relacionadas com a saúde emocional e mental das pessoas a espaços coletivos de trabalho. Para ele, o ciclo de palestras serviu para que mais trabalhadores soubessem que o suicídio é um problema que pode ser evitado acessando os meios de assistência e desmistificando concepções erradas para saber como abordar o tema com uma pessoa que possa estar pensando em tirar a própria vida.

Também presente, o coordenador de Atenção à Saúde do Instituto, Antônio Albernaz, destacou que, se a pessoa está mal no trabalho, essa sensação geralmente influencia também sua vida pessoal, e vice-versa. “Daí a importância de as instituições entrarem na mediação do dia a dia do trabalho e gerarem alternativas às pessoas para não deixar de falar do assunto”, ressaltou. Ambos reconheceram a relevância do atendimento por especialistas, além da possibilidade de recorrer a terapias alternativas articuladas à rede de apoio profissional e familiar, no âmbito da saúde mental, para a prevenção do suicídio.

Na sua palestra Felicidade agora é ciência, a especialista em ciência e tecnologia da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEM), Andréa Pérez, explicou como nossas emoções formam comportamentos –saudáveis e não saudáveis - que podem direta e indiretamente afetar nossa saúde física e mental. “Quando não definimos aonde queremos chegar, ficamos à mercê das circunstâncias, nos consumindo nas incertezas. E, em muitos casos, somos levados para onde outras pessoas desejam, realizando coisas que não têm significado”, defendeu ela.


Palestra Felicidade agora é ciência com Andréa Pérez, da CNEM

Por isso, é importante saber que existem estratégias para potencializar as emoções positivas, para alcançar uma vida mais saudável e feliz. O exercício físico, boas escolhas de alimentação, meditação, expressar gratidão, cultivar otimismo, praticar gestos de cortesia, evitar cismar e fazer comparações sociais são algumas dessas táticas, comentadas por Andréa, que qualquer um pode fazer para usufruir dos benefícios da felicidade pessoal e compartilhada com outras pessoas.

Acreditando no programa “Praticas Integrativas e Complementares e Saúde Pública” (PICs), classificadas pela OMS como Medicina Tradicional e Complementar (MTC), a Fiocruz estimula seus profissionais a participarem de atividades de promoção da saúde e bem-estar, foi assim que disponibilizou, por meio da Coordenação-Geral de Infraestrutura dos Campi (Cogic), o primeiro curso de Reiki, objetivando capacitar seus profissionais nesta antiga arte japonesa de “cura”.

A reikiana e tecnologista em saúde pública do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) Deise Luci Alves Campos Mello, na sua palestra sobre o Reiki, compartilhou os resultados positivos dessa experiência de formação de 15 profissionais da Fundação.  Além dos benefícios para o próprio bem-estar e de terceiros, dentro dos resultados obtidos neste projeto experimental de formação, observou-se que a participação de reikianos da Cogic, em ambulatórios de atendimento aos funcionários da própria Fiocruz, “fortaleceu os vínculos de cooperação entre as unidades, refletindo positivamente nos hábitos culturais da Instituição, mostrando poder ser utilizado como uma das alternativas saudáveis para viver melhor nos espaços laborais”, disse ela.


A palestrante Regina Santos falou sobre a Massagem de Som

No encerramento do evento, os participantes descobriram a Massagem de Som, “um apoio valioso, muito prazeroso e de inúmeros benefícios na prevenção ao suicídio”, de acordo com a diretora da Academia Peter Hess do Rio de Janeiro, Regina Santos. Este método holístico que atua no corpo, na mente e no espírito promove a saúde e pode ser aplicado como pratica individual ou coletiva, regenerando e vitalizando as células, trazendo harmonia, equilíbrio, paz interior e alegria de viver. “Por essa razão, tem sido adoptado em clínicas e hospitais da Europa na reabilitação neurológica, fisioterapia, tratamento de dor, medicina paliativa, psicologia e como prática complementar a tratamentos multimodais de saúde dentre outros”, completou Regina.


A Terrapia foi responsável pelo café da manhã saudável do evento

Sob o princípio de coerência entre o que foi promovido pelo evento, durante os dias de palestras sobre alternativas para viver melhor, o IFF/Fiocruz ofereceu opções de café da manhã da alimentação viva de Terrapia, um dos projetos que compõem o Programa Fiocruz Saudável.

Viver é a melhor opção

O Centro de Valorização da Vida (CVV) é uma entidade sem fins lucrativos que atua gratuitamente na prevenção do suicídio há mais de 50 anos no Brasil, e nesta oportunidade, o IFF não podia deixar de contar com a participação deste centro neste ciclo de conversação, através da sua coordenadora regional, Maria das Graças Araújo. “Ao contrário do que se possa pensar, falar sobre suicídio com responsabilidade não aumenta a probabilidade de que o suicídio ocorra. Pode ser uma oportunidade, talvez a última para alguém pedir ajuda”, afirmou Maria das Graças.

Segundo ela, o CVV desenvolve um trabalho de escuta, sem julgamentos, das pessoas que se encontram numa situação difícil de lidar, propiciando um grande alívio a essas pessoas, que vivenciam a sensação de que há alguém que sabe o que significa estar na sua pele. “Por isso, o princípio básico do CVV se concentra na escuta”, concluiu a profissional.

Alguém aí?

Se você ou um amigo quer ou precisa de alguém para ouvi-lo, lembre-se que não está sozinho. O CVV fornece atenção voluntária e gratuita, sob total sigilo, por telefone, e-mail e chat todos os dias.
Ligue 188 ou acesse o site https://www.cvv.org.br/ ou o Facebook: /cvvoficial.


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