IFF/Fiocruz realiza o terceiro curso da Iniciativa Hospital Amigo da Criança (Ihac)

O terceiro curso da Iniciativa Hospital Amigo da Criança (Ihac), foi realizado nos dias 10 e 12 de setembro, no Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz). O curso contou a presença de 71 profissionais de saúde, que lidam diretamente com a assistência às gestantes, mães, recém-nascidos e lactentes, sendo 16 do Instituto e os demais de maternidades do Estado do Rio de Janeiro. Uma das coordenadoras do curso, a enfermeira pediátrica e consultora de aleitamento materno do IFF/Fiocruz Nina Aurora Mello Savoldi afirmou que, o objetivo foi reforçar as boas práticas no parto e nascimento e padronizar as estratégias de manejo para apoio, proteção e promoção do aleitamento materno. “Através desta capacitação, prepararemos a equipe hospitalar com conhecimento e habilidades necessárias para, por meio da implantação dos dez passos para o sucesso do aleitamento materno, transformar a maternidade, ressaltando os cuidados humanizados no parto, o apoio aos pais com bebê na UTI Neonatal e empoderando o profissional para resolver as dúvidas, oferecendo aconselhamento às mulheres em caso de dificuldades. Com isso, os participantes poderão prestar uma assistência de qualidade nas questões do aleitamento materno, impactante nas taxas de aleitamento exclusivo nas maternidades”, comentou ela.

Iniciando a mesa de abertura, a coordenadora do Comitê de Aleitamento Materno do IFF/Fiocruz, Augusta Maria de Assumpção Moreira comemorou, após muito esforço das equipes, a conquista da recertificação do título da Ihac. “O Comitê é um grupo multiprofissional necessário em todas as prerrogativas para a certificação da Ihac, sendo uma das funções a elaboração da política de aleitamento dentro do hospital, incluindo esse curso”, explicou ela.

Dando continuidade, o diretor do Centro de Estudos Olinto de Oliveira (CEOO), Antônio Meirelles destacou que, a amamentação deve ser vista como um procedimento fundamental para o desenvolvimento saudável da criança e a importância do apoio do pai para que a amamentação seja bem sucedida. “Quanto mais a gente difunde a ideia de que a amamentação é um passo essencial para a vida da criança e para a própria mãe, que durante o processo é protegida de algumas doenças, a gente reforça a iniciativa de cuidar do filho, da mãe e da saúde mental de um grupo familiar”, analisou ele.

Com a palavra, a coordenadora da Estratégia Brasileirinhas e Brasileirinhos Saudáveis (EBBS/IFF/Fiocruz), Liliane Penelo declarou que, é preciso um exercício de cooperação, de solidariedade e grupalidade para exercer o cuidado. “Precisamos prestar atenção em todas as violências que nem sempre são tão explícitas, mas que no dia a dia, dificultam o cuidado com a criança, cuidadores e com a família, pois nós temos essa responsabilidade. Com o curso, devemos nos questionar como estamos nos saindo como cuidadores e o que precisamos fazer para contribuirmos para uma cultura de paz”, sinalizou ela.

Na sequência, o representante da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH-BR), Franz Novak contou que, a certificação representa um selo de qualidade que todos buscam, e os que conquistam têm muito orgulho de fazerem parte de um seleto grupo, mesmo diante de várias adversidades. Encerrando a mesa de abertura, o coordenador de Atenção à Saúde do IFF/Fiocruz, Antonio Albernaz ressaltou que, o curso cumpre a importante missão de fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS). “Encaramos a avaliação para recertificação da Ihac como uma visão de fora para detectar pontos a serem trabalhados, com o objetivo de termos em mente que para cuidar da criança, precisamos cuidar também da mãe e da família, e sempre progredir. O importante não é só chegar ao título, precisamos estar empenhados para mantê-lo. Espero que todos se tornem multiplicadores dessa ideia em toda a sua integralidade”, concluiu ele.

O curso teve duração de 20 horas, com 4 horas de prática clínica na atenção humanizada à mulher na gestação, parto e pós-parto. Uma das palestras foi “Como manter seu hospital Amigo da Criança?”, realizada pela pediatra e membro da Estratégia Brasileirinhas e Brasileirinhos Saudáveis (EBBS/IFF/Fiocruz), Rosane Siqueira. Logo no início, Rosane informou que, a Ihac foi instituída em 1990 no mundo pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), mas no Brasil em 1992, e a cada período, surgiram portarias com novos critérios de credenciamento. “A Ihac foi criada com o objetivo de resgatar o direito da mulher de praticar a amamentação com sucesso e de reduzir a mortalidade infantil. A iniciativa, sinérgica à Rede Cegonha, é uma estratégia potencializadora das políticas de saúde da mulher e da criança”, esclareceu ela.
A pediatra expôs que, atualmente, o Brasil possui 323 hospitais credenciados na Ihac, sendo 15 no Estado do Rio de Janeiro, e um deles é o IFF/Fiocruz. O Instituto foi credenciado em 1999 e recertificado este ano, em agosto de 2018, após reavaliação, feita a cada três anos pelo Ministério da Saúde (MS), com avaliadores externos que realizam entrevistas com as gestantes, mães e com os profissionais. Rosane alegou que, o trabalho deve ser executado sempre levando em consideração a portaria mais recente do que a iniciativa propõe aqui no Brasil que, neste momento, é a GM Nº 1153, de 22 de maio de 2014. “O Ihac em sua nova fase no país, tem novos critérios de credenciamento de forma a incluir também o Cuidado Amigo da Mulher, contendo as boas práticas não só para o bebê, mas trazendo questões voltadas à mulher, como o direito ao acompanhante e a utilização de métodos para alívio da dor no momento do parto. Essas inclusões foram interessantes, pois já existia a necessidade de avançar nesse sentido, já que para termos melhores resultados a mulher também precisa se sentir cuidada”, salientou ela.


Para as instituições interessadas, a pediatra explicou que, a obtenção e manutenção do
título é um compromisso de todo o grupo e motivo de vigilância constante e aprimoramento

Neste contexto, o primeiro passo é formar uma equipe de multiplicadores, através de uma comissão com reuniões mensais, informar todos da norma escrita e realizar os devidos treinamentos, com capacitações nos cursos para os clínicos. Os profissionais não clínicos, que não vão orientar diretamente a mãe, como os da recepção e radiologia, por exemplo, passam por um processo de sensibilização, que é um curso de 3 a 6 horas para conhecer a iniciativa e aderir à proposta. “É fundamental esse papel do Instituto de auxiliar outros hospitais na busca pelo título, porque a questão de novas certificações ficou um pouco estacionada no Brasil. Aqui no IFF/Fiocruz, nós promovemos a educação permanente em serviço através dos cursos da Ihac, que passaram a introduzir os novos critérios, visto que, é necessário a adequação ao modelo da portaria atual, que atende aos critérios internacionais da OMS e Unicef”, afirmou ela.

Concluindo a apresentação, Rosane avaliou que, o monitoramento da Ihac, que é realizado pelos membros do Instituto a cada ano, representa um momento ímpar de autoavaliação e de ajustes das práticas com fortalecimento das ações. “Mesmo diante de passos cumpridos, é importante valorizar as sugestões de melhorias, pois sempre podemos evoluir. O IFF/Fiocruz vem avançando no cumprimento das boas práticas da Ihac e os profissionais do hospital se orgulham e celebram a manutenção do título”, finalizou ela.


O casal da Sociedade de Pediatria do Rio de Janeiro (Soperj) prestigiou o evento
e posou ao lado dos profissionais do IFF/Fiocruz

 
Profissionais comemoram o aprendizado

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