IFF/Fiocruz celebra o Dia do Assistente Social

O Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), celebrou na terça-feira (19/6), o Dia do Assistente Social, comemorado em 15 de maio. O evento reuniu os profissionais para reforçar o compromisso com a luta dos trabalhadores em defesa dos direitos, da democracia, equidade, justiça social e liberdade. A assistente social do IFF/Fiocruz Aline Almeida conduziu a abertura afirmando que a data será sempre marcada pelo fortalecimento dessas bandeiras, com o objetivo de resistir, enfrentar e lutar, sem trégua, contra todas as injustiças e violências. Em seguida, convocou os integrantes da mesa de abertura para darem continuidade ao encontro.

Com a palavra, a presidente do Conselho Regional de Serviço Social do Rio de Janeiro, Dácia Teles refletiu sobre o tema do evento “Direitos Humanos: da Banalização da Vida à Construção da Reexistência”. “O contexto e a conjuntura afeta toda a categoria, desde as violações dos direitos humanos que a classe trabalhadora vivencia até do que enfrentamos em termos de políticas de Estados. Tudo causa um atravessamento, por isso, precisamos resistir em cada espaço e pensar em como podemos ser agentes dessa transformação”, avaliou ela.

Para o diretor do Centro de Estudos Olinto de Oliveira, Antônio Meirelles, por mais que hajam momentos de violação, a briga por direitos tem sempre avanços. Já o diretor do IFF/Fiocruz, Fábio Russomano ressaltou que, estamos vivendo um momento de perda de direitos, seja explícita, seja de forma subliminar, e elogiou a celebração. “A oportunidade de aprender com o Serviço Social é um privilégio que temos aqui no Instituto. Eu aprendi, não só a me colocar como o outro, mas que o outro é um ser detentor de direitos, que precisa de proteção e apoio, e nós devemos garantir esses direitos, visto que, o nosso primeiro valor é o foco no usuário”, enfatizou ele.

Em sua fala, a assistente social e membro da Coordenação de Atenção à Saúde do IFF/Fiocruz Dolores Vidal parabenizou os colegas pela data e por buscarem constantemente aprimoramento profissional, além de alertar que a luta por um Sistema Único de Saúde (SUS) de qualidade, eminentemente gratuito e público, é de todos os profissionais. “Para mim, é bastante significativo estar nessa mesa, fazer parte da equipe de Serviço Social do IFF/Fiocruz e perceber todo esforço, competência e resistência com que as assistentes sociais vêm desenvolvendo o seu trabalho, em favor da população usuária do SUS”, alegou ela. Para concluir as saudações de abertura, a coordenadora técnica do Serviço Social do IFF/Fiocruz, Roseli Rocha comentou que o intuito do evento era confraternizar, compartilhar afetos, trocar experiências, e tirar mais indicativos do que pode ser feito para fortalecer ainda mais a luta em defesa dos direitos humanos.


Integrantes da mesa de abertura comentaram a importância do Serviço Social

Após, a assistente social Daise de Moura, que trabalhou por 26 anos no IFF/Fiocruz, recebeu uma homenagem pelo serviço prestado, generosidade e compromisso. Em seu discurso, a assistente social e pesquisadora do IFF/Fiocruz Aline Martins destacou que a passagem de Daise pelo Instituto, resultou em muitos atendimentos, famílias acolhidas e crianças que ela viu crescer. Daise ficou emocionada. “Quero agradecer a minha mãe pela minha existência, a equipe de Serviço Social do Instituto, os que estão e os que já foram, e a casa que sempre me acolheu muito bem. Ainda não me sinto fora do IFF, nem da Fiocruz, e acho que nunca irei me sentir. Fico muito feliz pelos amigos que fiz aqui e por essa bela homenagem. Que vocês continuem batalhando e resistindo pelos direitos dos nossos usuários, que são tão massacrados nos dias atuais”, agradeceu ela.


As assistentes sociais do IFF/Fiocruz Dolores Vidal e Aline Martins prestigiaram Daise de Moura

Na sequência, foi a vez de homenagear a vereadora Marielle Franco, que esteve presente, em 2017, no evento em comemoração do Dia do Assistente Social, e foi brutalmente assassinada no dia 14 de março de 2018. O questionamento foi “São mais de 100 dias sem respostas, quem matou Marielle e o seu motorista Anderson Gomes?”. Para falar a respeito, a pós-doutoranda em Mídia e Cotidiano (UFF) e ex-chefe do gabinete de Marielle Franco, Renata Souza foi convidada para participar da mesa de debate. “A sociedade está aflita, afinal de contas, mataram uma pessoa pública, uma vereadora, então a lógica do medo está espalhada, pois qualquer um pode ser a próxima vítima”, lamentou ela.

Segundo Renata, o último Atlas da Violência mostrou que cerca de 65% dos jovens negros, em sua grande maioria moradores de comunidades, são assassinados cotidianamente. Para ela, não importa onde as pessoas negras e faveladas chegam, pois continuarão sendo matáveis. “Vivemos em uma sociedade racista, machista e classista e, se um cidadão é executado na favela, a família ainda precisa correr para tentar provar que seu filho era inocente. Existe todo um processo de criminalização pós-morte dessa pessoa que foi barbaramente assassinada, isso aconteceu também com a Marielle, como saíram em várias notícias falsas. Sendo ela, da onde veio, com toda a história que construiu, ainda tentaram imputar tudo o que imputam a todas as pessoas pobres, negras e faveladas”, explicou ela.

Renata ressaltou que, por mais que tenhamos muito a lamentar de onde foi parar os nossos direitos humanos, tem esperanças na juventude, que, em sua opinião, vem tomando a dianteira, fazendo a contrainformação e a reexistência de uma forma interessante. “Estou vendo muito pulsar dentro das periferias e isso me anima, porque não estamos parados, a discussão de temas trágicos está acontecendo de uma maneira leve, na linguagem deles, eles estão passando o recado e precisam ser ouvidos”, afirmou ela.

Outro integrante da mesa de debate foi o professor da Faculdade de Serviço Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro Jefferson Lee, que comentou que, ainda há pouco debate profundo acerca do que chamamos de direitos, pois se fala muito de conceitos como, defesa de direitos e direitos sociais, mas por trás deles estão passando um monte de coisas despercebidas. Ele citou um exemplo de que até hoje as pessoas se dizem defensoras dos direitos humanos e sociais e a ideia da igualdade é profundamente enraizada, mas a sociedade é completamente desigual. “Analisando a população negra, antes tínhamos a escravidão, que foi apenas alterada, já que nos dias atuais, continuamos a ter preconceitos, perseguição e extermínio. Quando a vida e a conjuntura se modificam, os direitos precisam acompanhar, não podem ser estáticos, devem estar em profunda e constante transformação”, avaliou ele.

Para concluir a sua participação, o professor declarou que o diálogo sempre é um processo necessário para enfrentarmos todas as dificuldades, além de auxiliar na construção de melhorias para a sociedade. Encerrando o evento, a assistente social do IFF/Fiocruz e mediadora da mesa redonda, Mariana Setúbal se pronunciou dizendo que os temas debatidos possuem total sinergia com o trabalho desenvolvido no Instituto e impactam diretamente na vida dos pacientes. “Enquanto estamos debatendo, as famílias que atendemos estão pelo hospital, pois são condenados a ficarem aqui, seja pelo não acesso as políticas públicas, seja pela dificuldade da própria política em lidar com o território onde elas vivem, ou seja, elas são mais uma vez penalizadas”, concluiu ela.


Membros da mesa redonda interagiram sobre os temas propostos


O evento lotou o Centro de Estudos Olinto de Oliveira

Informações Adicionais