A importância da fisioterapia respiratória no tratamento da bronquiolite

A bronquiolite, inflamação dos bronquíolos (parte final dos brônquios), atinge principalmente os bebês menores de 2 anos e é mais comum no inverno. Nos primeiros anos de vida, o sistema imunológico ainda é imaturo, o que torna as crianças mais suscetíveis ao vírus sincicial respiratório (VSR), o principal causador da doença. Além dele, o adenovírus, o parainfluenza, o vírus influenza, o rinovírus, o bocavírus e o metapneumovírus também são transmissores. A principal forma de contaminação é por meio de secreções respiratórias e por contato, ou seja, crianças que passam o dia em locais fechados com outras pessoas, como creches, estão mais propensas à infecção. Os sintomas iniciais são bem parecidos com os do resfriado: tosse, obstrução nasal, coriza e, às vezes, chiado no peito.

Atualmente, muito se tem falado sobre os benefícios da fisioterapia respiratória na melhora da qualidade de vida desse paciente. “A fisioterapia respiratória se dedica a realizar a higiene e desobstrução brônquica do paciente, bem como, a desinsuflação pulmonar, prevenção de atelectasias e recrutamento alveolar, por isso tem sido tão utilizada no tratamento da bronquiolite viral aguda”, explicou a Coordenadora Técnica da Fisioterapia Respiratória do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), Roberta Correia. Abaixo, a profissional responde às principais dúvidas sobre a doença.

1. Qual o objetivo da fisioterapia respiratória?

A fisioterapia respiratória é uma especialidade da fisioterapia que tem entre suas diversas atividades aplicar métodos, técnicas e recursos de expansão pulmonar, remoção de secreção, fortalecimento muscular, recondicionamento cardiorrespiratório e suporte ventilatório. Atua na educação em todos os níveis de atenção à saúde e na prevenção de riscos ambientais e ocupacionais.

2. Qual é a importância dela no tratamento da bronquiolite?

Na bronquiolite, devido à produção excessiva de muco (catarro) decorrente da inflamação brônquica, a criança pode apresentar sinais de desconforto respiratório, nesse momento, o fisioterapeuta atuará desde a avaliação do sistema respiratório até a intervenção com técnicas que colaborem para o conforto da criança e segurança da família no controle dos sintomas. Em casos mais graves, quando se requer a internação do paciente, a fisioterapia atua no gerenciamento da ventilação espontânea, invasiva e não invasiva, na manutenção da funcionalidade e gerenciamento da via aérea natural e artificial, na realização e na titulação da oxigenoterapia e inaloterapia e na determinação das condições de alta fisioterapêutica.

3. Quais os benefícios que esse tipo de fisioterapia traz para o paciente?

Os principais benefícios procedentes da fisioterapia respiratória para pacientes com bronquiolite são: a melhora dos sinais vitais, diminuição do trabalho muscular respiratório, melhor adaptação à ventilação não invasiva e/ou oxigenoterapia, diminuição da necessidade de aspiração das vias aéreas superiores, melhor manejo das nebulizações e aerossóis e menor tempo de desmame ventilatório quando conduzido pela fisioterapia.

4. Quais técnicas são usadas para alcançar esses benefícios?

Técnicas de alongamento, fortalecimento muscular, posicionamento, e técnicas manuais para expansão pulmonar são alguns exemplos. Além disso dispomos de recursos como a pressão positiva para facilitar a remoção da secreção ou diminuir o desconforto ventilatório. A orientação e educação do paciente e seu familiar são também fundamentais para o acompanhamento do paciente.

5. Em que momento o responsável pelo paciente pode procurar o serviço?

Uma vez internada, a criança terá o atendimento da fisioterapia respiratória. Os pacientes com bronquiolite sem necessidade de internação devem procurar os Núcleos de Apoio à Saúde da Família (Nasf) mais próximos de sua residência.

Informações Adicionais