IFF debate políticas e práticas de aleitamento materno e as novas diretrizes da rBLH

Às vésperas de finalizar o ano, o Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) sediou o Encontro de Bancos de Leite Humano, Postos de Coleta e Postos de Recebimento do Estado do Rio de Janeiro. O evento aconteceu na segunda-feira (18/12), no Anfiteatro A do Centro de Estudos Olinto de Oliveira, e contou com as presenças da representante da Área Técnica de Saúde da Criança da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ), Maria da Conceição Salomão, da gerente do Banco de Leite Humano do IFF, Danielle Aparecida da Silva, e do diretor do Instituto, Fábio Russomano.


Membros da Secretaria Executiva da rBLH apresentam novos rumos na certificação

Além de debater as políticas estadual e nacional voltadas ao AM e abordar temas de relevância no âmbito do manejo e do cuidado em amamentação, o encontro teve como objetivos a apresentação, pelos representantes da Secretaria Executiva da Rede Global de Bancos de Leite Humano (rBLH) Jonas Borges, Mariana Simões Barros e Talita Osório, das novas diretrizes para certificação de bancos de leite humano (BLH) no país e a realização do credenciamento dos nove BLH atuantes em todo o Estado do Rio de Janeiro.


Grupo reunido para celebrar encerramento do encontro e do ano de 2017

Durante a mesa de abertura, Danielle destacou a importância da união entre os diferentes elos que compõem a rede em prol do aleitamento materno (AM). “Todos nós trabalhamos pela saúde dos bebês prematuros e o que nos une são o conhecimento e a solidariedade. Essa solidariedade que não é apenas dirigida a nossos usuários, mas existe também entre nós”, ressaltou ela. Maria Conceição afirmou sua satisfação por representar a equipe responsável pelas ações de AM no Estado do Rio de Janeiro. “Mesmo em meio à crise financeira e institucional, conseguimos alcançar conquistas e levar adiante todas as metas. O Comitê de Aleitamento Materno da SES-RJ tem elevado o nome do Estado do Rio de Janeiro em todo o país”, frisou. Já Russomano declarou o orgulho proporcionado pela atuação do Banco de Leite do IFF para o Instituto e a Fiocruz. “Trata-se de um exemplo de trabalho em rede, de cooperação nacional e internacional, de inovação e qualidade”, concluiu o diretor.

Importância de trabalhar local e nacionalmente pelo AM

Danielle Aparecida Silva apresentou a palestra “Bases para a discussão da Política Nacional de Promoção, Proteção e Apoio ao Aleitamento Materno”, pautada no documento do Ministério da Saúde que destaca o histórico do AM no país e explicita as diretrizes para que seja possível trabalhar de forma única e coordenada em todo o Brasil. Para a gerente do BLH-IFF, o papel do documento é mostrar que não se faz uma política sozinho, mas que cada elemento dessa rede integra uma engrenagem. “Conhecer a política é fundamental para que possamos entender quais são as competências e responsabilidades de cada ente da administração pública e do sistema de saúde”, afirmou. “Além disso, a legislação em aleitamento materno não é algo que grande parte dos governantes conheçam. Por isso, precisamos melhorar a nossa articulação e fazer chegar este documento ao conhecimento das instâncias superiores”, ressaltou ela.


Política Nacional de AM foi tema da palestra de Danielle Aparecida Silva

Falando da realidade local, Danielle destacou um grande feito recentemente reconhecido: o fato de que o Rio de Janeiro alcançou 100% de aprovação na avaliação dos hospitais credenciados na Iniciativa Hospital Amigo da Criança (Ihac), promovida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). “Mesmo com crise, nosso compromisso continua. E 2018 será um ano de muito trabalho e grandes metas. Vamos tentar chegar aos 100% de aleitamento materno exclusivo (AME) por seis meses em nosso estado”, concluiu.


Representa da SES-RJ falou para Iniciativa Unidade Básica Amiga da Amamentação

Em seguida, Maria da Conceição Salomão apresentou o histórico e a situação atual da Política de Aleitamento Materno do Estado do Rio de Janeiro, implementada por meio da Iniciativa Unidade Básica Amiga da Amamentação (Iubaam). Segundo ela, esse movimento teve início em 1997, por meio do trabalho da pesquisadora Maria Inês Couto de Oliveira. “A revisão sistemática realizada por ela já apontava que determinadas práticas de promoção ao aleitamento materno, como mensagens impositivas e pontuais, não demonstravam efetividade, enquanto outras, como orientação prática no manejo e apoio emocional à mulher, alcançavam maior êxito”, afirmou.

Nesse sentido, a partir de 1999, a SES-RJ começou a trabalhar os 10 Passos para o Sucesso da Amamentação na Atenção Básica, sendo uma experiência pioneira no país. “É à Unidade Básica de Saúde que a mulher se vincula, pois é lá que ela faz o acompanhamento pré-natal e para onde ela retorna após o parto”, destacou. Maria da Conceição também ressaltou o que considera o mais importante da “cartilha” para o sucesso da amamentação: o passo 4, que trata de escutar as gestantes e mães. “Precisamos ouvir, ouvir e ouvir. E falar de mulher, não de peito. É preciso ter uma visão holística, que enfoque a construção de se tornar pai e mãe”, afirmou. Com relação ao impacto da Iubaam na prevalência do aleitamento materno (AM) no estado, ela defendeu, fazendo referência à literatura científica recente, que é positivo, tanto no que se refere ao aumento na duração do AM quanto na diminuição das consultas motivadas por doenças em crianças pequenas, frisando, ainda, o fato de ser uma estratégia de baixo custo. “O que nós temos é qualidade de gente que cuida de gente”, concluiu.       

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