Gravidez e os cuidados com o vírus zika

Suely Amarante

Contrair o vírus zika na gravidez é o temor de todas as gestantes e das mulheres que estão pensando em engravidar atualmente no Brasil. O surgimento do vírus e o crescimento expressivo do número de casos de bebês com microcefalia fizeram com que aumentassem as dúvidas e a apreensão sobre os riscos e o combate à doença. Entre 2015 e 2016, foram notificadas mais de 4,7 mil suspeitas de malformação em crianças brasileiras, provavelmente associadas à expansão do zika vírus.

As dúvidas, principalmente de gestantes, são muitas: quais as melhores formas de prevenção? O que fazer se o mosquito me pegar? Se tiver zika é certeza que o meu filho terá problemas? Segundo o gerente da Área de Atenção Clínico-cirúrgica à Gestante do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), José Paulo Pereira Júnior, sem vacina ou cura conhecida pela ciência, a melhor medida é concentrar os esforços no combate ao mosquito Aedes Aegypti e investir em medidas de prevenção.

Prevenir é o melhor remédio - “É muito importante lembrar as recomendações gerais contra o Aedes Aegypti, mosquito que transmite o vírus da zika, dengue e chikungunya. A primeira atitude deve ser o controle do vetor em sua casa, bairro e cidade. Além disso, a gente sabe que o mosquito tem predileção por voos de manhã e no fim da tarde e que o Aedes não gosta de frio e muito vento. Então, o uso de barreiras mecânicas, como telar a casa, usar mosquiteiros na cama, usar roupas leves que cubram o máximo possível do corpo, como calças e camisas de manga longa, além do uso dos repelentes certificados pela Anvisa, são medidas que devem ser adotadas”, ressalta José Paulo.

Com relação ao monitoramento de exames periódicos para checar se a mulher contraiu o vírus zika na gravidez, os testes disponibilizados no mercado não proporcionam muita eficácia e segurança, explica o obstetra. “Temos o teste chamado RT-PCR, porém, só é eficaz nos primeiros 14 dias de sintomas. Existem também os exames sorológicos que são mais baratos e permitem uma universalização, ou seja, pode ser aplicado em um número maior de pessoas, no entanto, não são confiáveis”.

O maior pesadelo de uma gestante nesse cenário é ser diagnosticada com a zika. Mas antes de se desesperar, é necessário saber que não são 100% dos casos de mulheres que contraíram o vírus que geraram bebês com malformação. Essa proporção ainda é desconhecida pela ciência e está em estudo. Nesse sentido, José Paulo explica que não se sabe o porquê que algumas pacientes infectadas têm bebês com microcefalia e outras não. “Não sabemos qual é o fator que facilita a infecção dessas mães e desses bebês gerando a microcefalia, ou qual é o fator protetor de mulheres que têm a doença, mas os bebês não têm microcefalia”, salientou.

Ainda como barreira de proteção para as gestantes, o Centro de Doenças dos Estados Unidos (CDC) recomenda que caso o companheiro tenha viajado para regiões endêmicas para o vírus zika, que o casal use preservativo quando tiver relação sexual no seu retorno, e que a gestante evite essas regiões. “Ainda que a mulher esteja tomando todas as medidas de precaução, é imprescindível o uso do preservativo, caso o marido tenha viajado para lugares com potencial de infecção pelo vírus zika. Essa é mais uma medida de prevenção que deve ser adotada pelo casal”, enfatizou Pereira.

Já para os casais que estão planejando uma gravidez, José Paulo recomenda que procurem o serviço de saúde do seu município para mais esclarecimentos. Além disso, nos sites do Ministério da Saúde e da Fiocruz é possível ter acesso a um vasto material sobre o assunto, que pode auxiliar na decisão do casal.  

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